O jurista e militante do MPLA, Valdir Cônego, alertou para alegadas irregularidades no processo de recandidatura do actual presidente do MPLA, João Lourenço. Em áudio partilhado nos grupos do WhatsApp, defendeu que a permanência deste na coordenação da Comissão Nacional Preparatória do Congresso compromete a transparência do pleito.
Em reacção ao anúncio de recandidatura feito durante a reunião do Bureau Político, Cônego esclareceu que existe uma distinção fundamental entre a presidência do acto do Congresso, prevista no Artigo 77.º dos estatutos do partido, e a coordenação da comissão que organiza todo o processo prévio.
Segundo Valdir Cônego, ao manifestar a pretensão de concorrer a um novo mandato, o actual líder deveria, por imperativo de isenção, cessar as suas funções como coordenador da Comissão Nacional Preparatória. “A Comissão Preparatória é o órgão que recebe as biografias e valida as candidaturas dos pré-candidatos. Logo, o coordenador desta estrutura não pode ser simultaneamente um dos candidatos”, sustentou.
O militante defendeu ainda que todos os concorrentes devem seguir os mesmos trâmites legais, que incluem a manifestação de intenção junto das estruturas de base (CAP). Criticou, igualmente, o facto de o anúncio da recandidatura ter ocorrido após o actual presidente ter tomado conhecimento dos dossiês dos outros pré-candidatos, durante a primeira reunião preparatória.
“O presidente João Lourenço deveria seguir os trâmites de acordo com os estatutos, tal como os outros pré-candidatos fizeram. Anunciar a candidatura no Bureau Político após ter tido contacto com os dossiês dos adversários configura um erro processual”, alertou.
O MPLA prepara-se para o seu IX Congresso Ordinário, agendado para Dezembro de 2026, onde será eleita a liderança que conduzirá os destinos da formação política nos próximos anos.
