A proibição da produção de plásticos de utilização única entra em vigor esta terça-feira, 22 de Setembro, em Angola, numa medida que visa reduzir os impactos ambientais associados ao uso e descarte destes materiais.
Em reacção à entrada em vigor da medida, o ambientalista e presidente da MINUTO VERDE, Rafael Lucas, considera que o plano de acção para a eliminação progressiva dos plásticos, com horizonte até 2027, representa um avanço na protecção ambiental, mas exige medidas complementares para garantir a sua implementação.
Segundo Rafael Lucas, a transição deverá considerar os desafios ambientais, económicos e sociais associados à substituição dos plásticos convencionais por materiais alternativos.
O responsável defende a necessidade de um período de adaptação para que as empresas possam reconfigurar os processos industriais, introduzir matérias-primas alternativas e assegurar a viabilidade técnica e económica dos novos produtos.
Para Rafael Lucas, pequenas e médias empresas e famílias que dependem da produção e comercialização de produtos plásticos também devem ser consideradas durante o processo de transição.
O ambientalista aponta igualmente a educação e a consciencialização da população como factores importantes para a mudança dos hábitos de consumo.
Defende, por isso, a realização de campanhas permanentes de educação ambiental, de modo a informar os cidadãos sobre os impactos dos resíduos plásticos e incentivar a utilização de alternativas.
Rafael Lucas chama ainda atenção para a necessidade de melhorar as infra-estruturas de recolha, reciclagem e tratamento de resíduos.
De acordo com o responsável, as limitações existentes em várias regiões do país exigem investimentos e reformas estruturais para garantir uma gestão adequada dos resíduos durante a implementação da medida.
O ambientalista considera que o plástico constitui uma ameaça aos ecossistemas, por contribuir para a degradação dos solos, contaminação dos cursos de água e afectação da fauna e da flora, além de contribuir para a poluição marinha e atmosférica.
O presidente da MINUTO VERDE defende que o sucesso da medida dependerá da articulação entre o Executivo, empresas, comunidades e organizações ambientais.
Entre as acções consideradas necessárias estão a criação de campanhas de educação ambiental, o apoio às comunidades vulneráveis durante a transição e o envolvimento das organizações ambientais no acompanhamento e cumprimento do programa.
Rafael Lucas considera que Angola tem condições para desenvolver um modelo de desenvolvimento ambientalmente responsável e socialmente justo, desde que a implementação da medida seja acompanhada por estratégias económicas, sociais e ambientais.
