UNITA critica crise social e pede orçamento rectificativo para 2026

A UNITA manifestou preocupação com o agravamento da situação social e económica do país e defendeu a necessidade de o Executivo submeter à Assembleia Nacional um Orçamento Geral do Estado rectificativo para o exercício de 2026, face à subida do preço do barril de petróleo no mercado internacional.

A posição consta do comunicado final da III Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, realizada terça-feira, em Luanda, sob orientação do presidente do partido, Adalberto Costa Júnior.

No documento, o órgão dirigente da UNITA considera que, apesar da valorização do petróleo nos mercados internacionais, persistem dificuldades económicas que continuam a afectar as condições de vida da população, razão pela qual apela à adopção de medidas que contribuam para reduzir o sofrimento dos cidadãos.

O Comité Permanente manifestou igualmente preocupação com a escassez de combustíveis registada em várias regiões do país, instando o Governo a prestar esclarecimentos sobre a situação e a adoptar medidas para normalizar o abastecimento.

Durante a reunião, os dirigentes analisaram a situação interna do partido, a conjuntura nacional e os impactos do contexto internacional sobre Angola. O órgão tomou conhecimento do crescimento da UNITA em diferentes províncias, apesar dos constrangimentos enfrentados, e condenou actos de intolerância política registados em diversas localidades do país.

A formação política saudou ainda o 35.º aniversário dos Acordos de Bicesse, assinalado a 31 de Maio, considerando que o entendimento alcançado em 1991 lançou as bases para a construção do Estado Democrático e de Direito em Angola.

No domínio político, o Comité Permanente acolheu com satisfação o debate em torno do Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional, documento que considera relevante para a actualidade política angolana.

A UNITA expressou também reservas quanto aos resultados do último Censo Geral da População e Habitação, alegando que vários cidadãos não terão sido abrangidos pelo processo de recolha de dados, situação que, segundo o partido, pode comprometer a credibilidade dos resultados finais.

Outra preocupação manifestada prende-se com as dificuldades de acesso ao Bilhete de Identidade por parte de muitos cidadãos. Segundo a UNITA, a situação pode limitar o exercício de direitos fundamentais, incluindo a participação eleitoral.

O Comité Permanente lamentou ainda as consequências das enxurradas registadas na província de Benguela e o desabamento de uma mina artesanal de ouro na província do Bengo, tendo apresentado condolências às famílias das vítimas.

A reunião aprovou, por unanimidade, os relatórios de actividades e de contas do partido referentes aos últimos meses, bem como o plano de actividades para o próximo trimestre.

No final, a UNITA reafirmou o seu compromisso com a consolidação da democracia, da justiça social e do desenvolvimento económico, reiterando o seu engajamento na construção de uma Angola mais inclusiva e participativa.

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