A recente visita de um grupo de turistas sul-africanos à antiga residência de Jonas Savimbi, conhecida historicamente como “Casa Branca”, na província do Huambo, voltou a colocar no centro do debate público a necessidade de preservação dos marcos políticos e militares do país.
Numa nota de reflexão partilhada nas redes sociais pelo analista Tutuvili Ngandu Ahumbu, sublinha-se que, apesar de a infra-estrutura se encontrar em avançado estado de degradação e reduzida praticamente a escombros, o local continua a despertar uma forte curiosidade e interesse de visitantes nacionais e estrangeiros que procuram conhecer a história contemporânea de Angola.
Para os militantes e simpatizantes da UNITA, a deslocação dos excursionistas estrangeiros àquela emblemática propriedade representa um reconhecimento da importância histórica do líder fundador do partido do “Galo Negro” e do papel por si desempenhado no xadrez político nacional.
Por outro lado, Tutuvili Ahumbu adverte que a actual situação de abandono em que o espaço se encontra deve suscitar uma discussão profunda e desapaixonada sobre a conservação do património histórico nacional, independentemente das diferenças e simpatias partidárias.
“A história de uma nação pertence a todos os seus filhos. Preservar locais ligados aos diferentes momentos da vida do país não significa exaltar conflitos, mas sim garantir que as futuras gerações compreendam o percurso que Angola trilhou para chegar ao presente”, lê-se na nota.
A nota conclui que a principal abordagem em torno deste património não deve prender-se com o eventual desconforto ou satisfação de determinadas alas políticas, mas sim com a urgência de se valorizarem os espaços que ajudam a contar a história de Angola em toda a sua complexidade.

