A Tanzânia prepara uma revisão constitucional na sequência da violência registada após as eleições gerais de 2025, num processo que o Executivo considera fundamental para restaurar a estabilidade política e reforçar o quadro institucional do país.
O anúncio foi feito pela Presidente Samia Suluhu Hassan, após a divulgação do relatório de uma comissão governamental criada para investigar os confrontos pós-eleitorais.
O documento aponta para 518 mortos e pelo menos dois mil feridos, números que evidenciam a dimensão da crise vivida no período em análise.
Segundo o relatório, os episódios de violência envolveram actos de vandalismo, pilhagens e destruição de infra-estruturas públicas e privadas, tendo afectado várias regiões do país e agravado o ambiente de tensão política.
Perante este cenário, a chefe de Estado assegurou que as conclusões da comissão servirão de base para alterações à Constituição, com o objectivo de prevenir futuras crises eleitorais e reforçar os mecanismos de governação democrática.
No âmbito das medidas anunciadas, o Executivo prevê igualmente a criação de uma comissão de reconciliação nacional, destinada a promover o diálogo entre os diferentes actores políticos e sociais, bem como a restaurar a confiança entre cidadãos e instituições.
Paralelamente, será instituído um novo órgão de investigação criminal para apurar responsabilidades nos distúrbios, com a missão de identificar os autores dos actos de violência, incluindo casos de pilhagens, destruição de bens públicos e denúncias de desaparecimentos.
Durante a sua intervenção, Samia Suluhu Hassan afirmou que os acontecimentos de Outubro de 2025 agravaram os desafios do país, sublinhando que a violência não contribuiu para a resolução dos problemas nacionais.
A iniciativa do Governo é encarada como um passo importante para a normalização política, num contexto em que a Tanzânia procura consolidar a estabilidade institucional e evitar a repetição de episódios de violência associados a processos eleitorais.
