A empresa estatal petrolífera angolana Sonangol anunciou, nesta quarta-feira, a intenção de diversificar a sua actividade económica para o sector dos minerais críticos, no quadro da transição energética global, ao mesmo tempo que reportou um resultado líquido superior a 750 milhões de dólares norte-americanos em 2025.
A informação foi avançada durante uma conferência de imprensa, na qual os responsáveis da empresa esclareceram que o lucro líquido registado em 2025 foi inferior ao de 2024, quando a petrolífera obteve cerca de 736 mil milhões de kwanzas, valor equivalente a aproximadamente 807 milhões de dólares à taxa de câmbio actual.
A Sonangol, que detém participações em dezenas de blocos offshore de petróleo e gás, além de operar refinarias e uma frota própria de navios, revelou igualmente que possui sete concessões mineiras destinadas à prospecção de urânio, lítio e quartzo.
Segundo o presidente do Conselho de Administração, Sebastião Gaspar Martins, a estratégia de diversificação visa posicionar a empresa no novo ciclo económico mundial.
“A Sonangol quer diversificar para os minerais críticos essenciais à transição energética. Será muito importante para nós termos participação e presença no desenvolvimento destes recursos”, afirmou.
O responsável acrescentou que esta aposta se enquadra na visão de modernização e sustentabilidade da empresa, acompanhando as transformações estruturais da economia global e o crescimento da procura por matérias-primas estratégicas para energias limpas.
Relativamente ao processo de privatização parcial, Gaspar Martins referiu que o Governo angolano mantém a intenção de vender 30% do capital da Sonangol, mas considerou que ainda não estão reunidas as condições adequadas para a concretização da operação, tendo em conta que o Executivo está actualmente concentrado na privatização de participações em dez outras empresas públicas.
Em termos operacionais, a Sonangol informou que a produção média diária de petróleo e gás em 2025 foi de cerca de 217 mil barris de óleo equivalente por dia.
Angola mantém-se como o segundo maior produtor de petróleo da África Subsariana, beneficiando de um novo quadro regulatório que tem atraído investimento de grandes multinacionais do sector energético, como TotalEnergies, Chevron, Shell e Azule Energy.
Com esta nova estratégia, a Sonangol reforça o seu posicionamento como conglomerado energético e industrial, alinhando-se com os desafios da transição energética, da diversificação económica e da sustentabilidade do desenvolvimento nacional.
Fonte: Miningweekly.
