Sociedade civil volta a exigir libertação de presos políticos durante vigília em Luanda

Os movimentos cívicos angolanos voltaram a exigir, sábado, em Luanda, a libertação dos presos políticos, durante uma vigília de solidariedade realizada na Biblioteca 10Padronizada, onde também denunciaram o alegado uso do sistema judicial para perseguir críticos do Governo em períodos eleitorais.

A iniciativa reuniu activistas, representantes de partidos políticos, estudantes, músicos, zungueiras e membros da sociedade civil, que defenderam o respeito pelos direitos fundamentais e pelas garantias constitucionais dos cidadãos.

Durante a vigília, o porta-voz da Sociedade Civil Contestatária, Geraldo Dala, manifestou preocupação com aquilo que considera ser a utilização da justiça para intimidar e perseguir cidadãos que expressam opiniões críticas em relação ao Executivo.

Segundo Geraldo Dala, o actual contexto político exige maior vigilância da sociedade civil, sobretudo devido à proximidade do ciclo eleitoral.

“Estamos aqui para exigir que estes nossos irmãos sejam libertados e também para exigir que a justiça deixe de ser usada como instrumento de perseguição contra aqueles que pensam de forma diferente, que criticam o Governo e que exercem uma cidadania activa”, afirmou.

O activista acrescentou que, na sua perspectiva, os períodos pré-eleitorais têm sido marcados por alegadas acções de intimidação contra vozes críticas.

Também presente na vigília, o líder do Movimento Social para a Mudança, Francisco Teixeira, afirmou que a sociedade civil continuará mobilizada em defesa da alternância política nas eleições gerais previstas para 2027.

“Nós só temos um foco: a mudança em 2027. Se não a conseguirmos, estaremos a condenar o povo a mais cinco anos de sofrimento”, declarou.

Os participantes exigiram igualmente a libertação de todos os cidadãos que consideram presos políticos, entre os quais Osvaldo Caholo, condenado a dois anos e seis meses de prisão pelo crime de instigação pública ao crime. O caso encontra-se actualmente em fase de recurso, segundo a defesa.

A vigília decorreu de forma pacífica e serviu ainda para reafirmar o compromisso de diferentes organizações cívicas com a defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e da participação cívica em Angola.

Segundo a RFI, os organizadores consideram que a sociedade civil continuará a promover iniciativas semelhantes em diferentes províncias do país, com o objectivo de manter o debate público sobre os direitos e liberdades fundamentais.

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