A petrolífera Shell acordou com a Chevron a aquisição de participações em dois blocos de águas profundas ainda por desenvolver no Baixo Congo, ao largo de Angola, numa operação que reforça o interesse das grandes multinacionais no potencial energético do país.
Segundo avançou a agência Reuters, o negócio prevê que a Shell passe a deter 35% de participação nos blocos 49 e 50, através de um acordo de farm-in com a Cabinda Gulf Oil Company (CABGOC), subsidiária integral da Chevron. O Governo angolano já aprovou a transacção, estando apenas pendentes alguns requisitos legais finais.
A Chevron mantém interesses operacionais em outros activos offshore estratégicos de Angola, nomeadamente nos blocos 0 e 14, onde iniciou, em Dezembro de 2025, a produção na plataforma South N’dola. No caso dos blocos 49 e 50, a CABGOC assinou contratos de serviço de risco em Junho de 2024 e deu início a estudos sísmicos ao longo de 2025, abrindo caminho para futuras actividades de exploração.
Para a Shell, a entrada em novos blocos exploratórios é vista como parte central da sua estratégia de médio e longo prazo. A empresa pretende aumentar a produção de gás natural em cerca de 1% até 2030, ao mesmo tempo que mantém estável a produção de petróleo. Angola surge, assim, como uma aposta relevante na carteira africana da multinacional, sobretudo no segmento upstream.
Analistas do sector energético consideram que o acordo reflecte a confiança renovada das grandes petrolíferas internacionais no potencial geológico das bacias angolanas, numa altura em que o país procura atrair investimento estrangeiro para sustentar a produção e garantir receitas num contexto de transição energética global.
A entrada da Shell nos blocos 49 e 50 reforça, deste modo, o posicionamento de Angola como um dos principais destinos de investimento petrolífero em África, combinando exploração de novos recursos com a continuidade de projectos já em produção.
