Um relatório da agência francesa de cibersegurança Viginum aponta que o primeiro-ministro escocês, John Swinney, terá sido alvo de 652 ataques através de contas falsas em redes sociais, no quadro de alegadas operações de interferência digital estrangeira atribuídas à empresa israelita BlackCore.
Segundo o documento divulgado pela Viginum, a que a Reuters teve acesso, a referida empresa terá conduzido campanhas de influência digital em vários processos eleitorais internacionais, incluindo eleições na Escócia, França, Togo, Estados Unidos da América e Angola.
A agência francesa acusa a BlackCore de recorrer a redes de contas falsas na plataforma X (antigo Twitter), com o objectivo de disseminar conteúdos coordenados de ataque político, tendo igualmente influenciado debates públicos em diferentes países.
De acordo com o responsável da área de interferência digital da Viginum, Marc-Antoine Brillant, as investigações permitiram identificar a empresa como alegada executora das operações, embora não tenha sido possível apurar quem terá encomendado tais acções.
“Este modus operandi não se limitou às eleições municipais em França. Parece também ter sido usado para operações de interferência digital estrangeira noutros países, incluindo Angola e Togo”, referiu o responsável, em conferência de imprensa em Paris.
O relatório indica ainda que, no caso da Escócia, a campanha terá decorrido entre Janeiro e Maio deste ano, período que antecedeu as eleições parlamentares, tendo sido mobilizadas centenas de contas falsas e milhares de publicações direccionadas a alvos políticos específicos.
A Viginum sublinha, contudo, que não conseguiu identificar os patrocinadores das alegadas operações de influência digital, mantendo em aberto a origem do financiamento e da coordenação das actividades.
As autoridades israelitas já reagiram, afirmando aguardar o relatório completo para avaliar a situação, enquanto negam qualquer envolvimento em interferência em processos eleitorais de outros países.
