O presidente da organização não-governamental MINUTO VERDE e ambientalista Rafael Lucas defende o reforço da educação ambiental no sistema de ensino angolano, incluindo a possibilidade de criação de uma disciplina curricular específica dedicada à preservação do ambiente.
Em declarações sobre a importância da educação ambiental, Rafael Lucas considera que os actuais desafios enfrentados pelas comunidades exigem uma abordagem permanente, que ultrapasse as campanhas ocasionais de sensibilização.
Entre os principais problemas, apontou a deposição inadequada de resíduos sólidos, a poluição das águas, as queimadas, o abate indiscriminado de árvores, a degradação dos solos, a perda da biodiversidade, a escassez de água e os efeitos das alterações climáticas.
Para o ambientalista, a educação constitui uma das ferramentas para ajudar as novas gerações a compreenderem a relação entre a preservação ambiental e áreas como a saúde, alimentação, agricultura, economia, disponibilidade de água e qualidade de vida.
Segundo Rafael Lucas, a introdução contínua de conteúdos ambientais nas escolas permitiria que a protecção da natureza passasse a integrar a formação cívica dos cidadãos.
Rafael Lucas defende que as crianças devem estar entre os primeiros grupos abrangidos por programas de educação ambiental, por considerar que a infância é uma fase importante para a formação de hábitos, valores e comportamentos.
Na sua perspectiva, uma criança ensinada a evitar o desperdício de água, não depositar resíduos no chão, proteger as árvores e respeitar os animais poderá transportar esses comportamentos para a vida adulta.
O presidente da MINUTO VERDE destaca igualmente o potencial multiplicador da educação ambiental. O conhecimento adquirido pelas crianças na escola, explicou, pode ser partilhado com pais, irmãos, amigos e outros membros da comunidade.
“As crianças de hoje serão ainda os cidadãos, professores, agricultores, empresários, técnicos, dirigentes e decisores de amanhã”, sublinha.
Rafael Lucas ressalva, entretanto, que a aposta na educação ambiental das crianças não deve significar a transferência para elas da responsabilidade pela resolução dos problemas ambientais.
Na sua opinião, governos, empresas, instituições e cidadãos adultos têm responsabilidades imediatas na protecção do ambiente, enquanto a educação deve contribuir para preparar uma geração mais consciente.
Sobre a proximidade do início do novo ano lectivo, o ambientalista considera que não é tarde para começar a desenvolver iniciativas de educação ambiental nas escolas.
Rafael Lucas reconhece, contudo, que a criação formal de uma nova disciplina curricular exige preparação, incluindo a definição dos conteúdos por classe, formação de professores, elaboração de materiais didácticos, estabelecimento da carga horária e definição dos métodos de avaliação.
Por essa razão, defende que uma eventual implementação nacional seja precedida por um programa-piloto.
A proposta passa pela selecção de algumas escolas para desenvolver, durante o ano lectivo, actividades teóricas e práticas relacionadas com a preservação ambiental.
Entre as iniciativas sugeridas estão jornadas de educação ambiental, palestras, clubes ambientais, concursos entre escolas, campanhas de limpeza, criação de ecopontos, hortas escolares, separação de resíduos, reaproveitamento de materiais e acções de arborização.
De acordo com Rafael Lucas, a experiência permitiria avaliar a participação dos alunos, professores e famílias, identificar dificuldades e aperfeiçoar o programa antes de uma eventual expansão para outras escolas.
O ambientalista defende ainda maior articulação entre o sector da Educação, as estruturas responsáveis pelo ambiente, administrações locais, organizações da sociedade civil, professores, encarregados de educação e especialistas.
O objectivo, segundo Rafael Lucas, seria desenvolver um modelo de educação ambiental adaptado à realidade angolana e capaz de envolver as comunidades.
Para o responsável da MINUTO VERDE, a educação ambiental não deve ficar limitada às actividades realizadas em datas comemorativas, devendo constituir um processo permanente de formação.
“Não consideramos, portanto, que seja tarde para começar”, afirmou, defendendo que o adiamento da educação ambiental pode aumentar os custos ambientais, sociais e económicos no futuro.
Rafael Lucas considera que a formação das novas gerações pode contribuir para a construção de comunidades mais limpas, para a utilização responsável da água e para uma maior consciência sobre as consequências das escolhas individuais e colectivas.
“Educar uma criança para proteger o ambiente é investir num cidadão capaz de proteger o futuro”, concluiu.
