Queimadas não autorizadas preocupam ambientalistas após morte de duas crianças na Huíla

O ambientalista Rafael Lucas alertou para os graves impactos ambientais e sociais das queimadas não autorizadas, na sequência da morte de duas crianças de 11 meses de idade, registada no município da Chibia, província da Huíla, em consequência de um incêndio florestal provocado nas proximidades de uma zona habitacional.

O caso consta do relatório semanal do Comando Provincial do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros da Huíla, segundo o qual o incêndio terá sido provocado por indivíduos ainda não identificados, atingindo uma residência onde se encontravam os dois menores, que perderam a vida.

O porta-voz em exercício da corporação, Francisco Matias, apelou aos cidadãos para evitarem queimadas desnecessárias e recordou que qualquer utilização do fogo deve ser previamente comunicada às autoridades competentes, de modo a garantir o acompanhamento técnico e a adopção das medidas de segurança.

No mesmo balanço, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros informou igualmente sobre a remoção de um feto humano encontrado numa cacimba, no bairro Nambembe, município do Lubango, posteriormente entregue ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) para os procedimentos legais.

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Foto: Rafael Lucas, Ambientalistas e Presidente da Minuto Verde

Em declarações à Rádio Nova, o ambientalista Rafael Lucas considerou que o episódio evidencia os riscos das queimadas descontroladas, classificando esta prática como uma das principais ameaças à biodiversidade, à segurança das comunidades e ao desenvolvimento sustentável em Angola.

Segundo o responsável da organização ambiental Minuto Verde, a destruição da cobertura vegetal reduz a capacidade dos ecossistemas para absorver dióxido de carbono, agravando as alterações climáticas e contribuindo para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa.

O especialista referiu ainda que as queimadas aceleram a degradação dos solos, reduzem a sua fertilidade, favorecem processos de erosão e desertificação e comprometem a produtividade agrícola, com reflexos na segurança alimentar das populações.

Rafael Lucas advertiu que a continuidade desta prática poderá agravar, no futuro, a degradação ambiental, a escassez de água, a perda de florestas e a vulnerabilidade das comunidades rurais, colocando em causa os esforços nacionais de desenvolvimento sustentável.

O ambientalista defendeu o reforço da fiscalização por parte das autoridades competentes e apelou aos cidadãos para abandonarem definitivamente as queimadas não autorizadas.

Acrescentou que, sempre que seja necessário recorrer ao uso do fogo para actividades agrícolas ou limpeza de terrenos, o procedimento deve obedecer às normas legais, ser previamente autorizado pelas entidades competentes e acompanhado por técnicos, de forma a prevenir acidentes, proteger vidas humanas e preservar o património ambiental do país.

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