Planta de Tratamento de Gás do Soyo reforça diversificação económica e posição de Angola no mercado energético

A Planta de Tratamento de Gás do Soyo afirma-se como uma infra-estrutura estratégica no desenvolvimento do sector do gás na África Ocidental, contribuindo de forma decisiva para a monetização dos recursos hidrocarbonetos de Angola e para a redução da dependência das receitas petrolíferas, segundo análise divulgada pelo portal internacional Discovery Alert.

De acordo com a publicação, a infra-estrutura representa uma viragem estratégica do país para cadeias de valor integradas no sector dos hidrocarbonetos, alinhadas com os objectivos de diversificação económica e de transição energética. A aposta no processamento de gás não associado surge como resposta à histórica prática de queima de gás associado à produção petrolífera, fenómeno que durante vários anos colocou Angola entre os países africanos com maiores níveis de flaring.

A planta do Soyo está preparada para processar até 400 milhões de pés cúbicos padrão de gás por dia, com uma produção estimada de 20 mil barris diários de condensados, níveis considerados compatíveis com reservatórios de gás rico existentes na costa angolana. A eficiência de recuperação situa-se entre 92 e 96 por cento, em linha com os padrões internacionais da indústria petrolífera.

Localizada na província do Zaire, a infra-estrutura beneficia da proximidade ao complexo Angola LNG, em funcionamento desde 2008, o que permite sinergias operacionais, partilha de infra-estruturas portuárias e optimização dos processos de exportação. A posição costeira do Soyo facilita igualmente o acesso aos mercados internacionais, com destaque para a Europa e a Ásia.

O Discovery Alert refere ainda que o projecto é desenvolvido por um consórcio internacional liderado pela Azule Energy, contando com a participação da Chevron, Sonangol E&P e TotalEnergies, num modelo de parceria público-privada que conjuga investimento estrangeiro, experiência técnica e interesses estratégicos do Estado angolano.

No plano económico, o processamento de gás abre novas fontes de receita para o país, incluindo a exportação de gás natural liquefeito (GNL), o fornecimento ao sector eléctrico nacional e a utilização do gás como matéria-prima para a indústria petroquímica e de fertilizantes, sectores considerados determinantes para o desenvolvimento da agricultura e da indústria transformadora.

Segundo a análise, a Planta de Tratamento de Gás do Soyo contribui igualmente para o reforço da segurança energética nacional, reduzindo a necessidade de importação de combustíveis líquidos e assegurando maior estabilidade no abastecimento de energia eléctrica, sobretudo em períodos de menor produção hidroeléctrica.

A evolução do quadro legal do sector, com destaque para a Lei do Gás de 2018 e o papel regulador da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), tem sido apontada como um dos factores que têm permitido atrair investimento e acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas de gás em Angola.

Com este projecto, Angola posiciona-se como um dos países africanos mais avançados no aproveitamento do gás natural, criando bases para uma transformação económica sustentável e reforçando o seu papel de liderança regional no sector energético, conclui o Discovery Alert.

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