Os preços internacionais do petróleo registaram uma forte subida na abertura do mercado neste domingo (8), com o crude norte-americano a ultrapassar a barreira dos 100 dólares por barril, numa altura em que os investidores reagem ao agravamento das tensões no Médio Oriente.
O petróleo de referência dos Estados Unidos, West Texas Intermediate (WTI), subiu mais de 20%, atingindo 119,48 dólares por barril. Trata-se do nível mais elevado desde fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia.
Já o contrato internacional de referência Brent avançou mais de 19%, sendo negociado a cerca de 119,50 dólares por barril. Na semana passada, o petróleo bruto dos Estados Unidos acumulou uma subida de 36%, enquanto o Brent valorizou cerca de 28%.
A escalada dos preços ocorre num contexto de crescente instabilidade na região do Golfo Pérsico, considerada estratégica para a produção e o transporte mundial de petróleo e gás. O conflito envolvendo o Irão entrou na sua segunda semana, aumentando os receios de interrupções no fornecimento global de energia.
A situação agravou-se depois de o Irão anunciar a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, decisão que intensificou a atenção dos mercados internacionais.
Coreia do Sul prepara medidas
Na Ásia, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciou que o Governo vai estabelecer um teto para o preço dos combustíveis no mercado interno, numa tentativa de reduzir o impacto da subida do petróleo sobre os consumidores.
Segundo as autoridades sul-coreanas, esta será a primeira vez em quase três décadas que o país adopta um mecanismo deste tipo para controlar os efeitos de uma crise energética internacional.
Trump minimiza impacto
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que a subida do preço do petróleo representa um “preço muito pequeno” a pagar em nome da segurança global.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Trump disse que os preços deverão cair rapidamente quando for eliminada a ameaça nuclear iraniana.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a subida dos preços da gasolina como uma “perturbação de curto prazo para um ganho a longo prazo”.
Segundo a porta-voz, o objectivo das operações é garantir a segurança energética e restabelecer o fluxo livre de energia no Médio Oriente, incluindo no estratégico Estreito de Ormuz.
Preços da gasolina também sobem
Entretanto, o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou à CNN que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz permanece limitado.
Normalmente, cerca de 60 navios petroleiros atravessam diariamente a rota, considerada uma das mais importantes para o comércio mundial de energia.
Dados divulgados pela AAA indicam que, desde o início dos combates com o Irão há uma semana, o preço médio da gasolina nos Estados Unidos subiu 47 cêntimos de dólar, cerca de 16%, atingindo 3,45 dólares por galão.
Apesar disso, Trump afirmou que o conflito continua popular entre os seus apoiantes, mesmo com sondagens a indicarem níveis significativos de desaprovação da decisão de atacar o Irão entre os cidadãos norte-americanos.
