O líder religioso e representante adjunto da UNITA na República Francesa, Ndinga de Deus, alertou para o que considera ser o alinhamento de determinadas igrejas e líderes religiosos com o poder político em Angola, afirmando que tal postura pode comprometer a missão espiritual e social das instituições religiosas e contribuir para a manutenção dos problemas que afectam a população.
De acordo com um pronunciamento feito através das redes sociais, quando as igrejas colocam os seus espaços ao serviço de interesses político-partidários, acabam por afastar-se da sua principal missão, que é defender a verdade, a justiça e a dignidade das pessoas. O líder religioso critica o uso dos púlpitos para apoiar o Governo, afirmando que tal prática pode levar os cidadãos a deixarem de questionar problemas estruturais do país, como a pobreza, a corrupção e as limitações ao exercício das liberdades cívicas.
Para o responsável, a transmissão de mensagens de cariz político nos altares enfraquece a consciência crítica dos fiéis, contribuindo diretamente para a perpetuação de cenários de exclusão e de dificuldades sociais.
“Uma Igreja que se cala diante da injustiça torna-se cúmplice da opressão. O Evangelho não pode servir para proteger regimes, mas para libertar os povos”, pontuou, apelando à recusa da submissão e da instrumentalização da fé.
Por fim, o político e líder religioso defende que a verdadeira mudança em Angola não depende apenas de mudar quem está no poder, mas sim da coragem que o povo e as comunidades de fé tiverem para vencer o medo e a submissão. Uma igreja verdadeiramente livre é vista como fundamental para construir um país mais justo e democrático para todos.
