MPLA rejeita candidatura de Higino Carneiro à liderança do partido por alegadas irregularidades

A subcomissão de candidaturas do MPLA rejeitou a pretensão do general reformado Higino Carneiro de concorrer à presidência do partido no poder, confirmou hoje, em Luanda, fonte da candidatura do ex-governante angolano, assegurando que a equipa jurídica já se encontra a analisar a ocorrência.

A informação foi tornada pública após pronunciamento do coordenador da subcomissão de candidaturas ao 9.º congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Job Capapinha, que considerou nula a pretensão do político devido à detecção de graves irregularidades documentais e assinaturas falsas que inviabilizaram a validação do processo.

Conforme explicou Job Capapinha aos jornalistas, o mandatário de Higino Carneiro havia declarado, no passado dia 25 de junho, altura da entrega do processo, a fasquia de 19.158 fichas de subscrição distribuídas por 152 pastas. Contudo, a verificação física e documental efectuada pela subcomissão apurou a existência de apenas 14.493 fichas de apoio.

Deste universo contabilizado, a subcomissão validou apenas 2.561 fichas (equivalente a 17,6%), tendo catalogado 9.659 como não válidas (66,6%) e 2.273 como falsas (15,6%), números que fundamentam a nulidade da candidatura e a remessa do processo aos órgãos competentes do partido para o devido tratamento, visto tratarem-se de factos passíveis de responsabilização criminal.

Entre as principais anomalias detectadas constam assinaturas de cidadãos não regularmente inscritos nos Comités de Acção do Partido (CAP), cartões de militante descontinuados mas com datas de emissão recentes, para além de listas subscritas colectivamente por uma única pessoa e bilhetes de identidade falsificados.

Como exemplos concretos, Job Capapinha apontou o caso de Luanda, onde foi identificada uma declaração de apoio falsamente atribuída à dirigente Djamila Huguette da Silva de Almeida, membro do Bureau Político, que prontamente desmentiu qualquer ligação ao documento através de carta dirigida ao órgão. Em Cabinda, registou-se igualmente uma declaração sustentada por um bilhete de identidade falsificado.

Higino Carneiro formalizou a sua intenção de corrida à liderança do MPLA no âmbito do IX Congresso Ordinário, agendado para os dias 09 e 10 de dezembro do corrente ano, perfilando-se como um dos opositores ao actual presidente do partido e da República, João Lourenço, que concorre à reeleição. Os estatutos da força política exigem um mínimo de cinco mil assinaturas de militantes provenientes de todo o território nacional para a validação de uma candidatura.

Licença: Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)
Os conteúdos editoriais abrangidos por esta política podem ser republicados gratuitamente, desde que sejam respeitadas as condições de atribuição.

Artigos Relacionados