MPLA: Ângela Bragança manifesta desagrado após vazamento de avaliação interna de quadros

A secretária do Bureau Político do MPLA para a Política de Quadros, Ângela Bragança, terá manifestado desagrado no seio do partido após o vazamento de uma lista interna contendo avaliações de desempenho de membros do Comité Central.

Segundo informações divulgadas pelo Club-K, o documento terá saído do gabinete responsável pela Política de Quadros e posteriormente circulado fora dos canais internos do partido.

A lista, que reúne centenas de dirigentes provenientes das diferentes províncias do país, é utilizada como instrumento de avaliação interna e poderá servir de referência para decisões relacionadas com a continuidade de determinados quadros no próximo congresso do MPLA, previsto para Dezembro.

De acordo com a mesma fonte, as suspeitas sobre a origem do vazamento recaem sobre um jovem funcionário que terá partilhado o ficheiro num grupo privado.

No referido grupo estaria também um antigo dirigente da JMPLA em Luanda.

Até ao momento, não são conhecidas informações sobre a abertura de um processo disciplinar formal contra o alegado responsável pela divulgação do documento.

A circulação da lista terá provocado algum constrangimento interno, sobretudo por expor dados relacionados com o desempenho individual de dirigentes do partido num período considerado politicamente sensível.

O documento divulgado apresenta classificações que variam entre 5 e 20 valores, existindo igualmente vários casos em que não foi atribuída uma nota final.

Entre os nomes que aparecem com classificações mais elevadas encontram-se Anastácia Chilombo Noerton de Vaconcelos Firmino, do Bengo, com 19,3 valores, e Armindo Peixoto Carvalho de Matos, da Huíla, com 19 valores, segundo os dados reproduzidos pelo Club-K.

Em sentido diferente, o documento contém também dirigentes que aparecem sem avaliação final, apesar de constarem como autorizados.

Entre estes surge Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar da Costa, de Luanda, figura com peso na estrutura política do MPLA.

A lista inclui dirigentes de diferentes províncias e apresenta informações relativas ao estado da avaliação e à autorização dos respectivos processos.

Entre os nomes mencionados encontram-se Afonso Belo Sanguvila, do Bié; Agílio Francisco Moisés de Campos, de Luanda; Agostinho da Rocha Fernandes da Silva, de Luanda; Albertina Chitumbo Cuvango Limueta, do Moxico; Albertina Ndimba, do Zaire; Bernarda Gonçalves Martins, de Luanda; e Alexandre António Mota Coelho “Sacha”, também de Luanda.

Constam igualmente da relação nomes como Alexandre Tuesikondjela Amenengue Ambrósio Niyúko, do Namibe; Alice Genoveva Manuel Miranda, do Cuanza-Norte; Américo Afonso da Silva, Ana Celeste Cardoso Januário, Anabela Francisco da Cunha, Amaro Cacoma da Silva “Nguengo”, Adélia Maria Pires da Conceição de Carvalho e Adelaide Mafuta João António e António, todos associados a Luanda.

Nestes casos, os nomes aparecem com indicação de “Sim” no campo relativo à autorização, mas sem uma classificação final, o que poderá indicar que os respectivos processos ainda não estavam concluídos no momento em que o documento foi elaborado.

A divulgação da avaliação interna ocorre num momento particularmente relevante para o MPLA, que se prepara para o congresso previsto para Dezembro.

O relatório oferece uma visão pouco habitual sobre os mecanismos internos de avaliação dos quadros do partido, permitindo identificar dirigentes com classificações elevadas, desempenhos intermédios e processos ainda sem avaliação concluída.

A divulgação do documento poderá também levantar questões sobre a segurança da informação dentro da estrutura partidária e sobre os procedimentos utilizados para proteger documentos de carácter interno.

Embora o conteúdo divulgado permita conhecer parte das avaliações, não é possível, apenas com base no documento tornado público, determinar se as classificações terão influência directa nas decisões de recondução ou substituição dos dirigentes.

Também não foi esclarecido publicamente quem autorizou a elaboração, circulação ou divulgação externa do documento, nem se o MPLA pretende instaurar um procedimento interno para apurar responsabilidades.

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