A região ao leste de Angola, Nação LUNDA carrega nas suas terras uma história de resistência e trabalho. Em Moxico, especialmente em Cazombo, a sociedade LUNDA TCHOKWE construiu-se à base do cultivo, da caça, da arte e de uma organização social profunda, sustentada pelo poder tradicional dos sobas e autoridades.
Contudo, nos últimos tempos, assistimos a um conflito que fere essa mesma base: divergências internas entre Lunda Ndembo e irmãos Luvale. É doloroso dizer, mas trata-se de um conflito dentro da mesma família cultural, de um mesmo povo que partilha língua, território e antepassados.
O governo angolano, enquanto garante da unidade nacional, e os filhos da região — jovens, líderes, professores e empresários — têm aqui uma responsabilidade dupla: não alimentar a divisão e sim resgatar a consciência de pertença. O trabalho árduo que por décadas ergueu aldeias, escolas e campos não pode ser apagado por desentendimentos.
A autoridade tradicional tem o primeiro papel. O poder do mwata, dos sobas e das instâncias consuetudinárias não é apenas simbólico. É o poder que resolve, que acolhe, que lembra aos filhos que “o sangue não se divide”. É preciso reforçar esse espaço de diálogo, longe de influências políticas oportunistas.
E aqui entra outro ponto fundamental: a mediação de outros povos de Angola. Ovimbundu, Kimbundu, Bakongo e demais comunidades têm mostrado, em outros conflitos internos, que a paz se constrói quando alguém de fora estende a mão sem interesse. O conflito interlunda precisa desse gesto nacional — um esforço coletivo que diga: a questão ao leste é uma questão de Angola.
Moxico não precisa de mais divisão. Precisa do regresso ao trabalho, à terra, à escola e ao respeito pelos mais velhos. Precisa que Luvale e Lunda Ndembo se reconheçam como irmãos que discutem em casa, mas que defendem a mesma casa para fora.
A Angola que queremos só será forte se Cazombo estiver de pé. E Cazombo só estará de pé se o povo LUNDA NDEMBO e LUVALE escolher a unidade acima de tudo.
Lamentamos profundamente os episódios de conflito étnico que têm oposto irmãos Lunda Ndembo e comunidades Luvale.
Esse confronto enfraquece não só a região, mas todo o tecido social da região LUNDA e no geral angolano.
Apelamos por isso:
1. Ao Governo Angolano: que continue a promover políticas de desenvolvimento, educação e justiça que atendam as especificidades da região ao leste, ouvindo as autoridades tradicionais como parceiras reais.
2. Às Autoridades Tradicionais: que reforcem a consciência do poder consuetudinário na resolução de conflitos, resgatando os mecanismos de diálogo e reconciliação ancestrais.
3. Aos Filhos da Região: que coloquem a unidade acima das diferenças. O desenvolvimento de Moxico depende de jovens e líderes comprometidos com a paz.
4. Aos Outros Povos de Angola: que se juntem como irmãos na mediação. A experiência de reconciliação de outras regiões pode iluminar o caminho para o diálogo interlunda.
Que o trabalho árduo que sempre caracterizou o povo LUNDA TCHOKWE volte a ser a nossa marca. Que Cazombo seja exemplo de como se transforma conflito em cooperação.
Angola é uma na diferença entre os seus povos e Reinos. E nela, a região ao leste tem um lugar central.
Viva o povo LUNDA NDEMBO!
Viva o povo LUVALE!
Juntos em busca da nossa Autonomia de Angola.
