O Movimento Cívico Mudei recebeu, segunda-feira, 17 de Agosto, uma delegação da UNITA, liderada pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, e pelo vice-presidente Álvaro Chikwamanga Daniel, para analisar a situação política do país e o processo eleitoral em curso.
O encontro, realizado na sede da Handeka e com duração de cerca de duas horas, centrou-se nas condições de preparação das eleições gerais de 2027, com particular atenção à transparência do processo e ao risco de violência durante o período eleitoral.
Segundo o Mudei, durante a reunião foram analisados os regulamentos da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), a composição do órgão e os mecanismos existentes para garantir a transparência e a protecção do voto.
A organização cívica afirmou que, apesar da existência de diferentes propostas e estratégias para o processo eleitoral, persistem dúvidas quanto às garantias necessárias para assegurar a confiança dos cidadãos no acto eleitoral.
Neste contexto, o Mudei reiterou a decisão de não promover, nesta fase, apelos públicos à actualização do registo eleitoral, alegando que a participação nas urnas deve ser acompanhada de mecanismos capazes de garantir a protecção do voto.
A situação das instituições públicas e do sistema judicial esteve igualmente entre os assuntos abordados. O movimento referiu preocupações relacionadas com a instabilidade política e discutiu a possibilidade de um pacto de nação ou de transição como uma das alternativas para evitar um eventual agravamento da tensão social.
Sobre a fiscalização eleitoral, o Mudei disse estar a trabalhar na monitoria das diferentes fases do processo e defendeu o cumprimento dos mecanismos previstos na legislação. A organização considera que a resistência à aplicação das normas eleitorais contribui para aumentar as preocupações em torno da transparência.
O movimento afirmou ainda que a falta de garantias claras no processo eleitoral contrasta com os discursos sobre paz e estabilidade, defendendo que estas devem ser acompanhadas por práticas institucionais capazes de reforçar a confiança dos cidadãos.
No final do encontro, o Mudei reafirmou a sua disponibilidade para dialogar com instituições e organizações que estejam empenhadas na promoção da transparência eleitoral e no acompanhamento do processo democrático em Angola.
