O pastor Jaime Simango, apoiante do político moçambicano Venâncio Mondlane e da ANAMOLA, denunciou uma alegada perseguição e afirmou ter abandonado o local onde se encontrava, estando actualmente em parte incerta por razões de segurança.
A denúncia foi feita durante uma transmissão em directo nas redes sociais, na qual o pastor afirmou que precisava manter-se afastado dos locais por onde tem passado, por recear estar a ser monitorizado.
Segundo Jaime Simango, a situação terá começado depois de receber, na quinta-feira, um correio electrónico com um pedido de informações sobre si e sobre pessoas próximas, incluindo referências à sua residência.
O pastor afirmou que inicialmente não atribuiu grande importância à mensagem, por considerar que já havia recebido ameaças semelhantes no passado.
Jaime Simango relatou que, na sexta-feira, observou três homens junto de um veículo estacionado nas proximidades da zona onde se encontrava.
De acordo com o seu relato, mais tarde, por volta das 17 horas, o mesmo veículo terá regressado acompanhado por outros dois homens.
O pastor afirmou ter interpretado a movimentação como uma acção de vigilância e decidiu deixar o local.
“Precisava sumir, precisava desaparecer”, afirmou durante a transmissão, acrescentando que já passou por vários lugares desde que decidiu manter-se afastado.
Simango disse ainda ter recebido posteriormente informações de que algumas pessoas teriam procurado saber do seu paradeiro, apresentando-se como amigos.
Durante a mesma transmissão, o pastor relatou um episódio ocorrido no ano passado que, segundo a sua versão, teria envolvido uma tentativa de atropelamento.
Afirmou que homens numa viatura o teriam seguido e tentado provocar um acidente, mas que conseguiu aperceber-se da situação e afastar-se.
O pastor também relatou que os ocupantes da viatura acabaram por sofrer um acidente numa vala, tendo alguns ficado feridos.
As circunstâncias descritas por Jaime Simango não foram acompanhadas, na transmissão, por elementos independentes que permitam confirmar a identidade dos envolvidos ou a intenção atribuída àqueles indivíduos.
Relação com ANAMOLA e Venâncio Mondlane
Jaime Simango é conhecido pelo apoio público a Venâncio Mondlane e à ANAMOLA, partido que tem estado ligado à mobilização política e às críticas aos resultados das eleições gerais de 2024 em Moçambique.
Na sua intervenção, o pastor afirmou que não pretende abandonar as suas posições e defendeu a continuidade da denúncia daquilo que considera injustiças.
A denúncia surge poucos dias depois da morte de Ilídio Facitela Gustavo, coordenador de mobilização política da ANAMOLA no distrito de Morrumbene, província de Inhambane.
Segundo um comunicado da ANAMOLA, Ilídio Facitela foi dado como desaparecido e posteriormente encontrado morto no distrito de Homoíne, também em Inhambane, no dia 12 de Setembro. O partido afirmou que terá sido vítima de sequestro.
Venâncio Mondlane também divulgou a morte e declarou que Ilídio Facitela era uma das suas testemunhas num processo judicial.
Julgamento de Venâncio Mondlane
O Tribunal Supremo de Moçambique adiou o início do julgamento de Venâncio Mondlane, inicialmente marcado para 6 de Outubro, na sequência de um pedido da defesa por alegada “incompatibilidade de agendas”.
O processo foi instaurado pelo Ministério Público no contexto das manifestações pós-eleitorais ocorridas no país entre 2024 e 2025.
Mondlane responde por acusações que incluem apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo. A moldura penal associada aos crimes de que é acusado pode ultrapassar 20 anos de prisão.
As alegações apresentadas por Jaime Simango sobre uma eventual perseguição, incluindo a referência a pessoas que classifica como integrantes de um “esquadrão da morte”, permanecem sem confirmação independente.
Até ao momento, não há indicação, no material apresentado, de uma confirmação oficial sobre a identidade dos homens ou do veículo mencionados pelo pastor, nem sobre a existência de uma operação estatal contra ele.
