Moçambique é actualmente o segundo país mais pobre do mundo, segundo um relatório recente do Banco Mundial, divulgado em Março de 2026, que aponta para um agravamento significativo da pobreza e da desigualdade no país.
De acordo com o documento, cerca de 81% da população vive com menos de três dólares por dia, enquanto quase 20 milhões de moçambicanos encontram-se abaixo da linha da pobreza nacional. O coeficiente de Gini situa-se em 50, colocando o país entre os mais desiguais do mundo.
O relatório indica que os avanços registados entre 2003 e 2015, período em que a pobreza reduziu de 60% para 48%, foram anulados nos últimos anos. Em 2022, a taxa de pobreza voltou a subir para 63%, representando um aumento de quase oito milhões de pessoas em situação de pobreza.
O Banco Mundial considera o período entre 2016 e 2025 como uma “década perdida”, marcada pela queda de 8% no rendimento nacional bruto per capita e pela fraca recuperação económica.
Entre os principais factores que contribuíram para este cenário estão a crise da dívida oculta de 2016, os ciclones Idai e Kenneth em 2019, a pandemia da COVID-19, a insurgência armada no norte do país e os desequilíbrios macroeconómicos.
A situação é agravada pela falta de emprego. Todos os anos, cerca de 500 mil jovens entram no mercado de trabalho, mas apenas 30 mil empregos formais são criados. A maioria da população activa depende da agricultura, sector que enfrenta baixa produtividade e forte vulnerabilidade às alterações climáticas.
As províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia registam os níveis mais elevados de pobreza, sobretudo nas zonas rurais, onde o acesso a serviços básicos continua limitado.
Em contraste, a Cidade de Maputo apresenta os níveis mais baixos de pobreza, concentrando grande parte da actividade económica do país.
As previsões para os próximos anos não são animadoras. O crescimento económico deverá situar-se entre 1% e 2% até 2028, insuficiente para reduzir a pobreza. O relatório alerta que, sem reformas estruturais e maior investimento, o número de pessoas pobres poderá continuar a aumentar, colocando em risco a estabilidade social e o desenvolvimento do país.
