Mais de 190 técnicos de saúde capacitados em nutrição e doenças infantis no Bié

Mais de 190 técnicos de saúde concluíram, na província do Bié, formações em Gestão Integrada da Desnutrição Aguda (GIDA), Atenção Integrada às Doenças da Infância (AIDI) e gestão de dados de nutrição.

A iniciativa foi promovida pelo Gabinete Provincial de Saúde, com apoio técnico do UNICEF Angola e financiamento da Fundação BFA, tendo como objectivo reforçar as competências dos profissionais no atendimento e acompanhamento de crianças e famílias.

Segundo o UNICEF Angola, a capacitação permitiu aos participantes aprofundar conhecimentos para identificar precocemente sinais de risco, prestar cuidados de acordo com os protocolos actualizados e encaminhar atempadamente os casos que necessitam de tratamento especializado.

Reforço dos serviços de saúde

Na cerimónia de entrega de certificados, o Chefe da Secção de Saúde e Nutrição do UNICEF Angola, Frederico Brito, defendeu que o investimento em recursos humanos e infra-estruturas deve ser acompanhado pela melhoria da qualidade dos serviços prestados às populações.

“Recursos humanos e infra-estruturas, sem serviços de qualidade, não resolvem os problemas reais da população”, afirmou, acrescentando que a formação contribui para a adopção de protocolos mais eficazes e para diagnósticos mais precisos.

A capacitação incluiu igualmente conteúdos relacionados com o sistema de informação em saúde. O registo e a análise dos dados de nutrição permitem acompanhar resultados, identificar necessidades e apoiar a definição das prioridades dos serviços.

Frederico Brito salientou que sistemas de informação sólidos são importantes para orientar decisões com base nas necessidades das comunidades.

Nutrição nos primeiros mil dias

Desde 2021, o UNICEF e a Fundação BFA trabalham com o Governo Provincial do Bié em iniciativas destinadas a melhorar a nutrição durante os primeiros 1.000 dias de vida, período que compreende a gravidez até aos dois anos de idade.

As acções decorrem nos municípios do Cunhinga e Belo Horizonte e incluem o reforço dos serviços de saúde, disponibilização de insumos nutricionais, rastreio da desnutrição e actividades comunitárias ligadas à nutrição, água, saneamento e higiene.

A formação dos profissionais integra este trabalho, permitindo reforçar a capacidade de identificação precoce da desnutrição, acompanhamento das crianças em tratamento e produção de dados para apoiar a planificação dos serviços.

Para a Administradora Executiva da Fundação BFA, Vera Neusa Dias, a conclusão da formação representa uma conquista para os profissionais e um compromisso com a melhoria dos cuidados prestados às comunidades.

A responsável defendeu que os conhecimentos adquiridos devem contribuir para diagnósticos mais precoces, dados mais fiáveis e decisões melhor fundamentadas.

Partilha de conhecimentos

No encerramento do acto, o Chefe de Departamento de Saúde Pública, Isaías Cambissa Sambunga, destacou a parceria entre a Fundação BFA, o UNICEF e o Governo da Província do Bié, considerando-a um contributo para complementar as acções desenvolvidas no sector da saúde.

O responsável apelou aos formandos para partilharem os conhecimentos adquiridos com outros profissionais que não participaram na capacitação.

A Supervisora Provincial de Nutrição do Bié, Marina Pena, considerou que a formação disponibilizou ferramentas práticas para melhorar o acompanhamento dos serviços, as supervisões e o trabalho das equipas.

Já a Supervisora Municipal de Nutrição do Cuito, Paulina Jamba, destacou os conhecimentos adquiridos sobre a triagem de crianças menores de cinco anos com desnutrição, critérios de admissão para tratamento ambulatório, protocolos terapêuticos e encaminhamento para unidades de nutrição especializada.

A entrega dos certificados integrou a missão conjunta do UNICEF e da Fundação BFA ao Bié, durante a qual as equipas mantiveram encontros com autoridades provinciais e municipais e visitaram unidades sanitárias e comunidades abrangidas pelas intervenções de prevenção e tratamento da desnutrição.

Nas comunidades, as equipas acompanharam o trabalho de profissionais de saúde, agentes comunitários e grupos de mães envolvidos na promoção de práticas adequadas de alimentação e higiene, rastreio da desnutrição e encaminhamento das famílias para os serviços de saúde.

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