Impactos das alterações climáticas em Angola exigem medidas sustentáveis, defende ambientalista

O ambientalista Rafael Lucas, afecto à Associação Minuto Verde, alertou, em Luanda, para os impactos severos das alterações climáticas em Angola, tendo defendido a adopção urgente de medidas sustentáveis com vista à mitigação dos efeitos deste fenómeno global.
Em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA), o especialista sublinhou que as mudanças climáticas constituem um dos maiores desafios com que se defronta a humanidade no decurso do século XXI, sobressaindo através de alterações significativas nos padrões climáticos do planeta.
Segundo o especialista, estas ocorrências manifestam-se mediante o acentuar das temperaturas, a instabilidade no regime pluviométrico, a incidência de períodos prolongados de seca, inundações, chuvadas intensas e outras ocorrências extremas que incidem directamente sobre os ecossistemas e o quotidiano das populações.
Explicou, na ocasião, que embora o clima terrestre tenha registado variações de cariz natural ao longo dos tempos, a actual aceleração do processo está ligada, essencialmente, à acção antrópica, com destaque para a emissão massiva de gases com efeito de estufa.
Nesta conformidade, frisou que compostos como o dióxido de carbono e o metano retêm-se na atmosfera, obstaculizando a dissipação do calor para o espaço e catalisando o aquecimento global. Como principais vectores indutores, apontou a queima de combustíveis fósseis, a desflorestação, as queimadas insensatas, a poluição industrial, a expansão urbana sem o devido ordenamento e o aproveitamento predatório dos recursos naturais. Realçou, de igual modo, que o abate indiscriminado de árvores constitui uma ameaça premente, tendo em conta o papel fulcral das florestas na retenção de carbono e na preservação do equilíbrio ecológico.
A nível do território nacional, Rafael Lucas assegurou que o país não se encontra a margem destes condicionalismos, contabilizando reflexos nefastos consubstanciados na subida térmica, na irregularidade das chuvas, na progressão da desertificação, no esgotamento dos solos, na escassez hídrica e na erosão da biodiversidade.
Face a este panorama, o perito advogou o incremento de acções de sensibilização comunitária e o estímulo a posturas ecologicamente prudentes, sustentando que atitudes diárias de âmbito local produzem efeitos globais na redução das pegadas ambientais.
Entre as recomendações práticas enumeradas constam a diminuição do recurso ao transporte automóvel individual, a aposta na rede de transportes públicos, o incentivo à mobilidade suave através de caminhadas ou do uso de velocípedes, bem como a massificação de campanhas de arborização.
Para o especialista, o combate eficaz às alterações climáticas pressupõe uma concertação multissectorial congregando o Estado, o tecido associativo ambiental, o sector empresarial e a sociedade civil, convergindo esforços rumo à edificação de um futuro resiliente e sustentável para a República de Angola.

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