Hélder Chihuto adverte sobre vícios e “bajulação” na corrida à liderança do MPLA entre João Lourenço e Higino Carneiro

O jurista e advogado angolano Hélder Chihuto considerou viciado o processo de preparação do próximo conclave do MPLA, apontando a existência de constrangimentos institucionais que beliscam os princípios da igualdade e da concorrência entre as candidaturas de João Lourenço e do general Higino Carneiro.

Num vídeo partilhado no Facebook, o jurista manifestou preocupação com o facto de estruturas influentes, como o Bureau Político, a Organização da Mulher Angolana (OMA) e a JMPLA, estarem já a manifestar apoio público e direcionado ao candidato à sua própria sucessão, João Lourenço, antes mesmo da abertura formal da campanha eleitoral interna.

De acordo com o analista, o posicionamento prematuro destas organizações rompe com os deveres de neutralidade, equidistância e imparcialidade que devem nortear os órgãos directivos de uma formação política em vésperas de eleições. Chihuto sustentou que tal ambiente condiciona a lisura do processo e prejudica outros militantes que manifestaram a intenção de concorrer ao topo da hierarquia do partido.

O advogado traçou um paralelo com o consulado do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, recordando que as manifestações de fidelidade excessiva, classificadas por si como “hipocrisia polí­tica” e “bajulação”, tendem a desaparecer assim que os líderes perdem a capacidade de assegurar cargos e interesses pessoais na máquina governativa. “Fingem estar ao lado de quem sabem que pode garantir os seus interesses, mas, assim que o líder deixa o poder, são os primeiros a ostracizá-lo”, advertiu.

Hélder Chihuto fez menção directa às sucessivas reclamações públicas avançadas pelo general Higino Carneiro, que tem vindo a reportar a existência de empecilhos burocráticos e barreiras administrativas para formalizar a sua inscrição no pleito interno.

Na visão do jurista, as alegadas manobras de boicote estão a produzir um efeito inverso ao pretendido pela actual direcção, funcionando como um “trampolim político” nas plataformas digitais. O causídico observou que a percepção pública de que Higino Carneiro está a ser ví­tima de uma cabala interna tem gerado uma onda de solidariedade, elevando a sua notoriedade e transformando-o, progressivamente, numa figura de resistência e num potencial “herói” para as franjas de militantes descontentes.

A fechar a sua abordagem, o jurista dirigiu um apelo ao bom senso e ao patriotismo do Presidente cessante do partido, João Lourenço, exortando-o a zelar pela transparência e pela verdade eleitoral durante o processo de votação.

Hélder Chihuto defendeu que o MPLA, dada a sua trajectória histórica e responsabilidade governativa, deve posicionar-se como um modelo de democraticidade interna, sob pena de incorrer num processo de automutilação política e de perda acelerada de credibilidade perante a sociedade civil angolana.

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