As recentes exonerações e nomeações promovidas pelo Presidente João Lourenço nas estruturas militares, policiais e de justiça voltam a colocar em debate os efeitos da reorganização do aparelho do Estado sobre a economia angolana.
Para o analista político Esmael Manuel, as mudanças não devem ser avaliadas apenas pela dimensão política. A estabilidade institucional, a segurança e a capacidade de execução do Estado têm impacto directo na confiança dos investidores e no ambiente de negócios.
O analista considera que uma renovação das chefias pode produzir resultados positivos se significar *mais eficiência, disciplina e capacidade de resposta das instituições*. Porém, mudanças sucessivas, sem continuidade administrativa e resultados concretos, podem aumentar a incerteza e atrasar decisões de investimento.
O ponto central, segundo Esmael Manuel, será perceber se os novos responsáveis conseguirão transformar as alterações de liderança em melhor governação, maior eficiência pública e condições mais favoráveis à actividade económica.
Num país que procura diversificar a economia, atrair investimento e reduzir a dependência do petróleo, a previsibilidade das instituições continuará a ser um dos principais factores para a confiança empresarial.
Mais do que saber quem entra e quem sai, o mercado quer saber quais resultados virão depois das exonerações.
