Cuanza Sul: Secretário provincial da UNITA denuncia detenção de militantes

O secretário provincial da UNITA no Cuanza Sul, António Saúde Cabina, denunciou hoje, terça-feira, no Sumbe, a detenção de dois militantes do seu partido no município do Cela (Waco Kungo), considerando o acto uma violação dos princípios do Estado de Direito.

Em conferência de imprensa, o também deputado à Assembleia Nacional afirmou que os cidadãos Francisco Dias Adriano e Baptista Joaquim Luís foram detidos pelas autoridades locais por, alegadamente, ostentarem indumentária de cor verde, situação que o político considera não constituir crime.

António Saúde Cabina explicou que as vestes em causa não correspondem às fardas orgânicas das Forças Armadas Angolanas (FAA) nem da Polícia Nacional, defendendo que a participação política é um direito consagrado na Constituição da República.

O parlamentar recordou que o país vive um regime de democracia multipartidária desde 1991, com a assinatura dos Acordos de Bicesse, e que a Lei Fundamental protege a liberdade física e o direito de participação na vida pública.

“Prender cidadãos sem observar os pressupostos legais é uma violação grosseira à Constituição angolana e nega o direito de participação política”, sublinhou o político.

De acordo com o secretário provincial da UNITA, um dos detidos, Francisco Dias Adriano, foi já colocado em liberdade sob termo de identidade e residência após interrogatório, enquanto o segundo cidadão permanece sob custódia.

Na sua intervenção, o deputado apelou às autoridades para o exercício de uma postura republicana e apartidária, solicitando a libertação incondicional do militante ainda detido.

António Saúde Cabina aproveitou a ocasião para evocar as recentes declarações do Governador Provincial, Eugénio Laborinho, sobre tornar o Cuanza Sul “uma boa terra para viver”, frisando que tal desiderato só será possível com a ausência de perseguição política e com a garantia das liberdades fundamentais.

O político saudou ainda as recentes mensagens de reconciliação dirigidas aos angolanos, apelando à manutenção da paz de espírito e da convivência democrática na região.

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