O Conselho Económico e Social (CES) recomendou ao Executivo o reforço das políticas públicas de apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPME), o desenvolvimento da agro-indústria e a valorização do Corredor do Lobito, apontados como vectores centrais do crescimento económico e social do país.
As recomendações resultam da 1.ª Reunião Plenária do Conselho Económico e Social referente ao ano de 2026, realizada quinta-feira, 23 de Janeiro, na cidade de Benguela, que reuniu conselheiros provenientes de diversos sectores económicos e sociais.
Os trabalhos decorreram ao longo de todo o dia e estiveram organizados em três áreas temáticas, nomeadamente económica, social e empresarial, com apresentações técnicas seguidas de debates orientados para a identificação de soluções estruturais e estratégicas para o desenvolvimento do país.
Na área económica, os conselheiros analisaram a situação das micro, pequenas e médias empresas, destacando as elevadas taxas de falência empresarial, as dificuldades de acesso ao financiamento, a excessiva burocracia e a paralisação de vários parques industriais.
Neste contexto, defenderam a adopção de medidas urgentes de apoio às MPME, incluindo o reforço da assistência técnica, a simplificação dos procedimentos administrativos e a reactivação das infra-estruturas produtivas.
Ainda no domínio económico, o Corredor do Lobito foi apontado como um eixo estratégico para a integração logística regional, a dinamização das exportações e a diversificação da economia nacional, com impacto directo no desenvolvimento das províncias do interior e na integração continental de Angola.
Na área social, os debates incidiram sobre a investigação e a produção científica como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento sustentável, bem como sobre a segurança alimentar e a agricultura familiar, consideradas pilares essenciais para a redução da pobreza, a geração de rendimento e a estabilidade das comunidades rurais.
No âmbito empresarial, foram analisados os impactos do crescimento demográfico sobre o mercado de trabalho, os serviços sociais e o planeamento económico, assim como a necessidade de reforçar a soberania alimentar através do fortalecimento da cadeia de valor agro-alimentar e da redução da dependência externa.
Durante a reunião, foi igualmente apresentado o resumo do tema “Agro-Indústria em Angola: Desafios, Oportunidades e Impactos na Agricultura e no Meio Rural”, que destacou o papel da agro-indústria na criação de emprego, na transformação da produção agrícola e no fortalecimento do meio rural.
A realização da reunião plenária em Benguela foi considerada uma demonstração do compromisso do Conselho Económico e Social com a descentralização da reflexão estratégica nacional, aproximando o debate sobre políticas públicas das realidades territoriais concretas.
No final dos trabalhos, o CES reafirmou-se como um espaço privilegiado de reflexão estratégica e de produção de recomendações destinadas a apoiar o Titular do Poder Executivo na formulação e no ajustamento de políticas públicas orientadas para um desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Ao encerrar a sessão, o coordenador do Conselho Económico e Social, José Serra Van-Dúnem, sublinhou a importância da continuidade do diálogo estruturado entre os diferentes sectores da sociedade e da transformação das conclusões do Conselho em recomendações operacionais com impacto efectivo na melhoria das condições de vida da população. In Governo
