Empresas brasileiras estão em fase avançada de negociação para desenvolver até 800 mil hectares de terras agrícolas em Angola, no âmbito de um futuro acordo de cooperação em investimentos produtivos entre os dois países, avançou a agência Bloomberg.
A informação foi avançada pelo secretário brasileiro de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura, Alex Giacomelli, durante um encontro empresarial realizado em Luanda.
Segundo o responsável, o acordo deverá ser assinado em breve e pretende ultrapassar a tradicional relação comercial entre os dois países, promovendo a aplicação da experiência e da tecnologia agrícola brasileiras às condições de produção de Angola.
A iniciativa deverá igualmente contribuir para o reforço da capacidade produtiva nacional e para a diversificação da economia angolana, fortemente dependente do sector petrolífero.
Angola procura acelerar investimentos
A negociação ocorre semanas depois de o ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, ter alertado para a necessidade de os parceiros brasileiros avançarem com o financiamento dos projectos agrícolas previstos.
Na ocasião, o governante indicou que, caso os compromissos de investimento não fossem concretizados, Angola poderia procurar outros parceiros para desenvolver as áreas identificadas.
As terras destinadas aos investidores brasileiros foram identificadas pelo Governo angolano no ano passado, no quadro da estratégia de aumento da produção interna de alimentos e redução da dependência das importações.
BNDES acompanha negociações
O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), instituição brasileira de desenvolvimento, acompanha as negociações entre os dois países.
O gerente de Crédito à Exportação do BNDES, André Taveira Cruz, afirmou, à margem do encontro empresarial, que o banco está informado sobre as negociações em curso.
Segundo o responsável, a estruturação de eventual financiamento dependerá, contudo, da conclusão dos acordos comerciais entre as empresas envolvidas.
A concretização do financiamento deverá, assim, ocorrer numa fase posterior à definição dos projectos e dos respectivos compromissos de investimento.
China também participa em projectos agrícolas
Além dos investidores brasileiros, Angola tem procurado estabelecer parcerias com empresas de outros países para ampliar a produção agrícola em larga escala.
Entre os acordos já estabelecidos encontram-se projectos com empresas chinesas, incluindo a Citic Construction, para o desenvolvimento de cerca de 100 mil hectares destinados à produção de soja e milho.
Outro projecto envolve a empresa estatal chinesa Sinohydro, que deverá participar no cultivo de aproximadamente 30 mil hectares de cereais.
Os diferentes projectos enquadram-se nos esforços do Executivo angolano para aumentar a produção nacional, estimular a agro-indústria, criar empregos e reduzir a dependência das importações de alimentos.
