O Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) entregou, a 14 de Agosto, uma carta aberta ao Presidente da República, João Lourenço, na qual apresenta a sua posição sobre a reivindicação de autonomia para a região Lunda Tchokwe e apela ao diálogo com as autoridades angolanas.
O documento, dirigido ao Chefe de Estado, foi apresentado pelo movimento como uma reflexão sobre a situação da Lunda Tchokwe, com destaque para o que considera ser um silêncio institucional, a repressão penal e a necessidade de encontrar soluções para a questão da autonomia regional.
Na carta, o MPPLT afirma que a reivindicação da autonomia da Lunda Tchokwe não constitui um fenómeno recente, defendendo que a questão tem sido apresentada pelo movimento ao longo de vários anos.
A organização sustenta que desenvolve a sua actividade desde 2006 e considera que as propostas apresentadas às autoridades não terão recebido uma resposta capaz de solucionar as reivindicações defendidas pelo movimento.
O MPPLT afirma igualmente que a sua posição deve ser analisada no quadro do diálogo e da procura de soluções políticas, defendendo que o recurso ao encarceramento de pessoas ligadas à causa não contribui para a resolução do problema.
Na missiva, o movimento manifesta preocupação com aquilo que considera serem consequências da política de repressão penal e apela ao Presidente da República para que sejam criadas condições para um diálogo sobre a questão da Lunda Tchokwe.
A carta é apresentada pelo MPPLT como uma iniciativa de cidadania e de defesa da paz, sublinhando o respeito pelas instituições da República de Angola e a necessidade de preservar a coesão territorial e a estabilidade do país.
O movimento defende que a questão da autonomia deve ser discutida através de mecanismos institucionais e de diálogo, procurando apresentar ao Executivo os fundamentos históricos e políticos da sua reivindicação.
A entrega da carta ocorre num contexto em que diferentes grupos e organizações ligados à questão Lunda Tchokwe têm defendido posições sobre o estatuto político e administrativo da região, enquanto as autoridades angolanas têm mantido a integridade territorial e a unidade do Estado como princípios fundamentais da ordem constitucional.
Na missiva entregue ao Gabinete do Presidente da República, o MPPLT solicita que a reivindicação seja analisada pelas autoridades e que sejam consideradas alternativas de diálogo para evitar o agravamento das tensões em torno da questão.
O documento tem como destinatário o Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, João Manuel Gonçalves Lourenço, e foi registado, segundo a informação divulgada pelo movimento, no Gabinete do Presidente da República, com a referência de entrada de 14 de Agosto de 2026.
A carta aberta constitui, assim, mais uma iniciativa do MPPLT para colocar a questão da autonomia Lunda Tchokwe na agenda institucional e solicitar uma resposta das autoridades angolanas.
