Francisco Teixeira, ex-presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), faz duras críticas à passividade da PGR e do SIC face ao desvio do dinheiro dos livros escolares e carteiras, que nunca chegam aos destinatários, diz que problema da educação é sistémico, não é ónus dos titulares exonerados. Relata que já sofreu tentativa de suborno para deixar de criticar o Executivo e considera as eleições de 2027 desafiantes.
Eu não me posso auto-avaliar. O meu trabalho foi público, fiz um trabalho para a sociedade, e cabe a ela julgar o trabalho feito. É como um trabalho de fim de curso, defendes, aprovas e a monográfica fica à disposição da sociedade, para a investigação e para a contribuição da nossa sociedade. Penso que fiz um bom trabalho, os media acompanharam. Cabe aos media darem uma nota positiva ou negativa sobre o trabalho feito. Mas, o que é facto, enquanto movimento estudantil juvenil, somos a melhor organização, segundo o Novo Jornal. O último prémio Novo Jornal considera o MEA a única organização juvenil que ganhou. Superou sindicatos e instituições que recebem dinheiro do Estado e até de organizações internacionais. O ano passado, como não se realizou o prémio Novo Jornal, continuamos a ser a melhor organização juvenil da sociedade civil. Isto é que é facto, agora não me posso auto-avaliar.
O MEA conta agora com uma nova direcção. Que balanço faz do seu mandato?
Claro, estão na nova direcção do MEA meninos que trabalharam comigo durante cinco anos. Eu preparei esses meninos, e eles, se não sobressaíram bem, é porque fui um mau professor. Está-se diante de um teste. Se fui ou não um bom instrutor, mas dei-lhes todas as ferramentas de como resistir à corrupção, à pressão social e política, às agressões físicas e não só por parte das autoridades. Espero que estejam à altura dos desafios. Eles são meninos, o novo presidente tem menos de 30 anos e ninguém tem família, mulher ou filhos. Então, era essa a minha visão! Era deixar uma direcção que não tivesse preocupação com a família, por que eu, muitas vezes, não arrisquei muito mais por causa da família, da mulher e dos filhos. A nova direcção tem de superar a mim, aliás, eu acredito que essa nova direcção vai procurar fazer muito mais e melhor.
Quer dizer que deixa a organização em boas mãos?
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