Angola reforça cooperação diamantífera com Antuérpia

O Antwerp World Diamond Centre (AWDC), organização que representa os interesses de 1.470 empresas do sector diamantífero de Antuérpia, acolhe esta semana uma delegação angolana de alto nível, chefiada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, com vista ao reforço das relações comerciais no domínio dos diamantes.

A visita, com a duração de dois dias, tem como principal objectivo aprofundar a cooperação entre Angola, enquanto produtor de diamantes brutos de elevada qualidade, e Antuérpia, reconhecida como um dos centros mais fiáveis e transparentes do comércio mundial de diamantes e porta de entrada para os mercados internacionais de luxo e joalharia.

Integram igualmente a delegação angolana o presidente do Conselho de Administração da Endiama, José Ganga Júnior, e o presidente da SODIAM, Eugénio Bravo da Rosa, entidade responsável pela comercialização de todos os diamantes brutos angolanos.

Segundo a directora-executiva do AWDC, Karen Rentmeesters, a visita vai além do âmbito diplomático, privilegiando resultados concretos. “Estamos a promover encontros directos entre a Endiama e a SODIAM e os principais operadores do sector diamantífero de Antuérpia, incluindo comerciantes de diamantes brutos, lapidadores, empresas de leilões e grandes marcas internacionais de joalharia”, afirmou.

Em 2024, Angola produziu diamantes brutos avaliados em mais de 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos, consolidando-se como o segundo maior produtor mundial em termos de valor. Apesar disso, durante vários anos o sector diamantífero angolano enfrentou desafios relacionados com a transparência, o que levou parte significativa do comércio a ser canalizada para mercados menos regulados.

O Executivo angolano, liderado pelo Presidente da República, João Lourenço, tem vindo a implementar reformas estruturais orientadas para a transparência, a conformidade legal e o reforço da credibilidade internacional, tornando novamente Antuérpia um mercado atractivo para a venda de diamantes angolanos. Em 2024, cerca de 21 por cento da produção nacional de diamantes brutos foi exportada directamente para aquele centro europeu.

De acordo com Karen Rentmeesters, o aumento do comércio de diamantes angolanos via Antuérpia representa ganhos económicos e reputacionais. “Antuérpia contribui para posicionar os diamantes angolanos como um produto responsável e premium, ao nível de países como Botswana, Lesoto ou Canadá”, sublinhou.

Para Angola, o reforço da cooperação garante acesso directo às principais casas internacionais de luxo e joalharia, onde a origem, a transparência e o cumprimento das normas internacionais assumem um papel cada vez mais determinante. Para Antuérpia, representa maior disponibilidade de diamantes brutos angolanos de alta qualidade, comercializados num ambiente regulado e orientado para o mercado.

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