Angola canalizou cerca de 99 mil milhões de dólares para o sector petrolífero nos últimos nove anos, afirmou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
O governante apresentou os dados na abertura da 7.ª edição da Angola Oil & Gas (AOG 2026), conferência e exposição internacional realizada em Luanda sob o lema “Investir no Futuro de Angola”.
Durante o período em análise, foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas, segundo José de Lima Massano.
As autoridades negociaram igualmente 72 novas concessões petrolíferas. Deste total, 44 já foram assinadas, enquanto outras 28 aguardam aprovação final.
Massano afirmou que o Governo pretende continuar a desenvolver o sector petrolífero e do gás de forma responsável, competitiva e sustentável.
O ministro defendeu a necessidade de aumentar o valor acrescentado gerado internamente, permitindo que os recursos naturais contribuam para a criação de emprego, desenvolvimento de competências e maior actividade económica no país.
Segundo o governante, estão em curso reformas destinadas a melhorar as condições para o crescimento do sector e a atrair novos investimentos.
Angola pretende igualmente ampliar a fronteira de exploração através de novas descobertas e da reposição das reservas, com o objectivo de assegurar a produção durante os próximos anos.
No sector do gás natural, José de Lima Massano destacou uma transformação considerada significativa após as reformas implementadas pelas autoridades.
O segmento ganhou maior relevância, com destaque para a exploração de campos de gás não associado e para o desenvolvimento de projectos de maior dimensão.
O Governo pretende, deste modo, aproveitar melhor os recursos de gás e aumentar a sua contribuição para a economia nacional.
Perante os desafios relacionados com as alterações climáticas, Massano defendeu uma transição energética considerada justa e gradual.
“We will continue to produce hydrocarbons, but we will do so in an increasingly responsible, efficient and sustainable manner”, afirmou o ministro, defendendo a utilização de tecnologias mais eficientes e a combinação de hidrocarbonetos e gás natural com fontes renováveis.
Entre as energias referidas estão a hidroeléctrica, solar, eólica e biomassa.
A estratégia apresentada pelo Governo procura conciliar os objectivos de redução das emissões com as necessidades económicas e sociais de Angola.
O ministro apelou também ao reforço do conteúdo local, defendendo uma maior participação de empresas angolanas no fornecimento de bens e serviços à indústria petrolífera.
Massano destacou igualmente a necessidade de aumentar a presença de profissionais angolanos qualificados ao longo da cadeia de valor do sector.
Ao mesmo tempo, reafirmou o compromisso do Governo com a estabilidade contratual, a segurança jurídica, a previsibilidade e a criação de um ambiente de negócios competitivo.
Dirigindo-se aos potenciais investidores, José de Lima Massano apelou à aplicação de capital em toda a cadeia de valor do petróleo e gás, mas também noutros sectores da economia angolana com potencial de crescimento.
A AOG 2026 reúne em Luanda empresas e especialistas do sector energético para discutir exploração e produção de petróleo e gás, transição energética, sustentabilidade e oportunidades de investimento.
O encontro decorre durante dois dias e reflecte a estratégia de Angola de manter os hidrocarbonetos como uma das principais bases da economia, enquanto procura desenvolver fontes de energia renovável e diversificar a estrutura produtiva.
