A secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Mendonça, defendeu, esta terça-feira, em Madrid, Reino de Espanha, uma maior participação das mulheres nos processos de tomada de decisão, considerando que a liderança feminina deve ser encarada como parte da solução para os desafios globais da paz, democracia e desenvolvimento.
A governante representou o ministro das Relações Exteriores de Angola na 5.ª Conferência sobre Política Exterior Feminista, onde participou como oradora convidada no Painel n.º 2, subordinado ao tema “Paz e democracia face aos desafios do século XXI: uma abordagem feminista à política externa”.
Durante a sua intervenção, Esmeralda Mendonça partilhou experiências ligadas à liderança de mulheres africanas, com destaque para o papel das mulheres angolanas na prevenção de conflitos e na promoção da coesão social.
Na ocasião, afirmou que não pode existir paz duradoura sem a participação efectiva das mulheres, defendendo igualmente que o reconhecimento do papel feminino deve ser acompanhado pela garantia de uma participação real nos processos de decisão política e institucional.
Segundo a responsável, a liderança das mulheres não deve ser analisada apenas numa perspectiva numérica, mas encarada como um elemento essencial para a construção de sociedades mais inclusivas, democráticas e resilientes.
A secretária de Estado destacou ainda os progressos alcançados por Angola na promoção da igualdade e equidade de género, referindo que as mulheres representam actualmente 39,1 por cento dos deputados à Assembleia Nacional, 28,5 por cento dos membros do Executivo e 23,4 por cento do corpo diplomático angolano.
De acordo com a governante, estes indicadores reflectem o compromisso contínuo das autoridades angolanas em ampliar a participação feminina nos cargos políticos e de decisão.
Durante o evento, Angola apresentou igualmente a Bienal de Luanda e a Rede de Mulheres Líderes Africanas como iniciativas relevantes para a promoção da paz, da segurança e do fortalecimento da liderança feminina no continente, em consonância com a Resolução 1325/2000 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre Mulher, Paz e Segurança.
A cerimónia de abertura foi presidida pelo ministro dos Assuntos Exteriores, União Europeia e Cooperação do Reino de Espanha, José Manuel Albares, que defendeu uma maior inclusão das mulheres no sistema internacional, particularmente nos processos de negociação e resolução de conflitos.
O governante espanhol manifestou também o apoio do seu país à eventual eleição de uma mulher para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.
A conferência reuniu cerca de 60 delegações ministeriais estrangeiras e representantes de organizações internacionais, entre as quais responsáveis governamentais da Colômbia e de Andorra, bem como dirigentes da ONU Mulheres, do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e de outras instituições internacionais.
À margem dos trabalhos, a delegação angolana aproveitou o encontro para promover a candidatura da embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
A 5.ª Conferência sobre Política Exterior Feminista termina esta quarta-feira, com a previsão de aprovação de uma declaração política conjunta dedicada à construção de sociedades pacíficas e democráticas através da igualdade de género, dos direitos humanos e da diplomacia feminista.
