Angola classificou o risco global de branqueamento de capitais como médio-alto, segundo os resultados da Segunda Avaliação Nacional de Risco (ANR), realizada entre Novembro de 2024 e Agosto de 2025.
O relatório, que analisa o período de 2020 a 2024, indica que a ameaça geral se mantém igualmente em nível médio-alto, enquanto a vulnerabilidade nacional foi classificada como média, reflectindo desafios persistentes no sistema de prevenção e combate a este tipo de criminalidade financeira.
Entre as principais ameaças identificadas constam crimes de corrupção e peculato, contrabando de combustíveis, fraudes fiscais, tráfico ilícito de drogas, exploração ilegal de minerais estratégicos e crimes contra o ambiente.
Os sectores considerados mais críticos incluem o imobiliário, o petrolífero, o bancário e o comércio de metais e pedras preciosas, áreas onde se recomenda o reforço das medidas de controlo e supervisão.
No que se refere ao financiamento do terrorismo, o relatório aponta um nível global de risco médio, sublinhando que o país não enfrenta uma ameaça interna sistémica, mas permanece exposto a riscos externos e transnacionais.
De acordo com a avaliação, grupos como o Hezbollah, Al-Shabaab, ADF/ISCAP e ISIS-S representam diferentes níveis de ameaça, utilizando canais como transferências informais, contribuições da diáspora, contrabando e operações financeiras não reguladas.
O documento identifica ainda vulnerabilidades associadas à dimensão do sector informal e à necessidade de maior eficácia na aplicação de sanções financeiras, destacando como prioritário o reforço da capacidade investigativa, da acusação criminal e dos controlos aduaneiros.
Entre os sectores que requerem atenção especial no combate ao financiamento do terrorismo figuram as organizações sem fins lucrativos, os serviços de remessas e o sector bancário.
Como medidas prioritárias, o relatório recomenda a criação de um plano de acção nacional com metas e prazos definidos, o aumento do investimento em recursos humanos e tecnológicos, a melhoria da partilha de informação entre instituições e o reforço da fiscalização, sobretudo ao nível das fronteiras e da transparência sobre o beneficiário efectivo.
O documento sublinha ainda a importância de intensificar a divulgação das normas de prevenção junto dos diferentes intervenientes, visando fortalecer o sistema nacional de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.
Encontra-se disponível o Relatório de Avaliação Nacional e Sectorial de Risco de BC/FT/FP, referente a 2025.
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