O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, defendeu a necessidade de Angola implementar reformas estruturais destinadas a reduzir a dependência do petróleo, reforçar a diversificação económica e promover um crescimento mais inclusivo e sustentável.
Durante a apresentação de um diagnóstico económico e social, o líder da maior força política da oposição afirmou que os principais desafios do país têm natureza estrutural, estando relacionados com o funcionamento das instituições, a organização do poder económico e os incentivos existentes no actual modelo de desenvolvimento.
Segundo Adalberto Costa Júnior, Angola vive um cenário de “estabilização sem transformação”, caracterizado por melhorias em alguns indicadores macroeconómicos que, na sua perspectiva, ainda não se traduzem em avanços significativos na criação de emprego, redução das desigualdades sociais e diversificação da economia.
O dirigente considerou que o país continua excessivamente dependente do sector petrolífero, referindo que este representa cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), 60 por cento das receitas fiscais e aproximadamente 95 por cento das exportações nacionais.
Na sua intervenção, alertou igualmente para a vulnerabilidade da economia angolana às oscilações dos mercados internacionais, defendendo uma aposta mais consistente nos sectores produtivos e na industrialização.
Relativamente às contas públicas, Adalberto Costa Júnior chamou a atenção para a diferença entre o preço de referência do petróleo inscrito no Orçamento Geral do Estado e a cotação média registada nos mercados internacionais durante os primeiros meses de 2026, considerando que essa margem financeira exige maior transparência na divulgação das receitas públicas.
O presidente da UNITA manifestou ainda preocupação com o peso da dívida pública, afirmando que uma parte significativa das receitas previstas para 2026 será destinada ao pagamento da dívida e dos respectivos encargos financeiros, limitando a capacidade de investimento do Estado em sectores sociais e produtivos.
No domínio financeiro, o responsável defendeu o aumento do crédito ao sector privado, sublinhando que o actual nível de financiamento à economia constitui um entrave à diversificação e ao crescimento empresarial.
A agricultura foi apontada como um dos sectores que continua a beneficiar de reduzido apoio financeiro, apesar de ser frequentemente apresentada como prioridade para a segurança alimentar e criação de emprego.
Adalberto Costa Júnior criticou igualmente a concentração da despesa pública em Luanda e na administração central, considerando que esta realidade contribui para o agravamento das assimetrias regionais e limita o desenvolvimento equilibrado das províncias.
O relatório apresentado pela UNITA destaca ainda a elevada taxa de informalidade no mercado de trabalho e o desemprego juvenil como desafios estruturais que exigem políticas públicas mais eficazes de inclusão económica e criação de oportunidades.
No plano institucional, o líder da oposição voltou a defender o reforço da transparência, da boa governação e da independência das instituições públicas, apontando igualmente a necessidade de melhorar os mecanismos de fiscalização da contratação pública e da gestão das empresas estatais.
Relativamente ao Sector Empresarial Público, Adalberto Costa Júnior abordou questões relacionadas com a gestão da Sonangol, o processo de privatização da TAAG e a execução do Programa de Privatizações (PROPRIV), defendendo maior divulgação de informação financeira e reforço dos princípios de transparência.
Na conclusão da sua intervenção, o presidente da UNITA reiterou que Angola possui recursos naturais, localização estratégica e potencial humano suficientes para acelerar o desenvolvimento económico, defendendo uma agenda de reformas baseada na disciplina orçamental, descentralização económica, expansão do crédito produtivo, promoção da concorrência e valorização da juventude angolana.
