O activista político angolano Hitler Samussuku considerou, recentemente, que a UNITA atravessou uma “transformação profunda” desde 2003, consolidando-se como uma força democrática capaz de resistir às assimetrias do cenário político nacional.
O activista destacou, em texto publicado no dia 30 de Abril, que a UNITA consolidou a sua natureza civil e institucional em 2003. Ao recordar o período pós-Savimbi, o autor apontou aquele ano como o momento decisivo para o abandono definitivo da vertente militarizada do partido.
“Durante os anos 1990, a UNITA era vista internacionalmente como um movimento rebelde associado ao conflito armado que devastou Angola. O partido nasceu num contexto de luta anticolonial, com estrutura militarizada, braço armado e uma forte cultura de disciplina revolucionária, características típicas dos movimentos de libertação africanos daquela época. Mas, depois do fim da guerra, comecei a perceber uma mudança gradual na postura política e institucional da organização”, sublinhou Samussuku.
O activista realçou a evolução quantitativa do partido na Assembleia Nacional. Lembrou que, após o fim do conflito armado em 2002, a UNITA ocupava apenas 16 assentos, um número que considerou “insuficiente” para o histórico da organização. Contudo, destacou que o crescimento gradual nas eleições de 2012 e 2017 culminou nos 90 deputados alcançados em 2022, o que, na sua visão, reflecte uma reconstrução organizacional e emocional do partido.
Para o activista, a actual bancada parlamentar da UNITA é mais “diversificada e inclusiva”, integrando académicos, sindicalistas e membros da sociedade civil, o que tem permitido uma maior aproximação aos sectores urbanos e à juventude.
Hitler Samussuku apontou o que chama de “capacidade de sobrevivência” perante o que descreve como mecanismos de pressão institucional. Citou, como exemplo, o período em que o partido teve as contas bancárias congeladas por cerca de um ano e as constantes queixas de “lawfare” e desinformação mediática.
“Mesmo diante de derrotas eleitorais, crises internas e limitações estruturais, percebo que a UNITA aprendeu a transformar muitos dos seus reveses em processos de aprendizagem política”, afirmou, destacando também a abertura democrática interna visível nos congressos da organização e das suas estruturas de massas, como a LIMA e a JURA.
No entanto, o activista notou que a UNITA tem adoptado posturas mais firmes em fóruns onde considera haver instrumentalização política, justificando as retiradas do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) e da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).
O activista concluiu que a percepção pública sobre a UNITA mudou, deixando de ser vista como um movimento de resistência armada para ser encarada como um projecto político que busca adaptar-se aos desafios da democracia contemporânea em Angola.
